16/10/2009
Capital tem apenas 50% de leitos exigidos

Fortaleza só oferece 3.118 leitos hospitalares, somando os da rede pública e privada. Seriam necessários 6.250 Para atender as exigências da portaria 1.101/02 do Ministério da Saúde, que é de 2,5 leitos por mil habitantes, o número de leitos da Capital cearense deveria dobrar. Enquanto a quantidade mínima exigida é de 6.250 leitos, Fortaleza só oferece 3.118, somando os da rede pública e privada.

Em Fortaleza, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), existem oito hospitais de atendimento secundários e um terciário, que é o Instituto Dr. José Frota (IJF). Nos hospitais secundários, são ofertados 524 leitos enquanto que no IJF são 374. Na rede privada, segundo a Associação dos Hospitais do Estado do Ceará, são 20 hospitais particulares na Capital, que oferecem 2.220 leitos. Essa situação reflete no mau atendimentos e hospitais públicos superlotados.

No Hospital Distrital Gonzaguinha Mota do Bairro José Walter, na manhã de ontem, o Diário do Nordeste flagrou filas imensas, idosos esperando atendimento há mais de seis horas. Alguns chegaram a unidade por volta das 5 horas da manhã. Outro fato relevante foi a presença de pessoas que moram em bairros muito distantes do hospital, como Conjunto Ceará e Papicu, a procura de internação ou de uma consulta médica.

Faltam médicos O mais grave no Gonzaguinha do José Walter é a falta de profissionais de saúde para atender a demanda. Embora tenha cinco médicos lotados na Emergência (dois clínicos gerais, dois pediatras e um obstetra), ontem de manhã nenhum deles estavam trabalhando, deixando a população sem atendimento. Na ala de internação havia apenas um médico para acompanhar os pacientes que estavam fazendo tratamento.

Segundo Edna Ferreira, diretora administrativa financeira do Gonzaguinha do José Walter, só em setembro último, foram realizados 7. 554 pacientes na Emergência. Destes, 4.049 eram para clínica médica. O hospital oferece 55 leitos, que não atende a demanda.

A dona-de-casa Maria Conceição da Silva, grávida de cinco meses, aguardava, por horas, por atendimento na unidade hospitalar. Maria, estava tonta, vomitando e com muita dor de cabeça. Em sua ficha dizia que o atendimento seria de emergência, mas 30 minutos depois de chegar ao hospital ela continuava esperando atendimento sentada em uma cadeira de plástico. "Acho isso uma falta de respeito, se aqui funciona uma emergência deveria ter pelo menos um médico", desabafou.

Situação semelhante passou a aposentada Maria José Castelo Branco, de 63 anos. Ela chegou no hospital também por volta da 5 horas para fazer fisioterapia, mas às 10h ainda aguardava atendimento. "Nós somos jogados de um lado para o outro, não temos prioridade, isso é uma falta de respeito".

Maria José conta que já passou por situações piores no Gonzaguinha do José Walter. Ela diz que chegou com a filha em trabalho de parto, com a bolsa rompida, e não foi atendida. "Cheguei aqui, com minha filha aos prantos, nem ambulância tinha. A levei para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF)".


Fonte: (Karla Camila - Diário do Nord